segunda-feira, 6 de junho de 2016

5º Aniversário de Ordenação sacerdotal de nosso pároco


Ao celebrar a liturgia desse 10º  domingo do tempo comum vemos que dimensão profética percorre a liturgia da Palavra. Em Elias, o profeta da esperança e da vida, em Paulo, o profeta do Evangelho recebido de Deus, e, particularmente, em Jesus, o grande profeta que visita o seu povo em atitude de total oblação. A primeira leitura apresenta-nos a figura da mulher de Sarepta, que significa a perda da esperança e o sentimento de derrota e de procura de um culpado, e a figura do profeta Elias, que acredita no Deus da vida, que não abandona o homem ao poder da morte, ressuscitando o filho da viúva. No Evangelho, temos a revelação de Deus expressa na atitude de piedade e compaixão de Jesus no milagre da ressurreição do filho da viúva. Deus visita o seu povo em Jesus, “um grande profeta”, realizando o reino pela ressurreição, oferecendo a sua vida e dando-lhe pleno sentido. Na segunda leitura, acolhemos a absoluta gratuidade da conversão de Paulo, para quem o Evangelho é uma força vital e criadora, que produz o que anuncia; a sua força é Deus. É uma força vital, uma dinâmica profética que ele recebeu diretamente de Deus.
O cristão, tornado conforme à imagem do Filho que é o primogênito entre a multidão dos irmãos, recebe «as primícias do Espírito». Por meio deste Espírito, «penhor da herança», o homem todo é renovado interiormente, até à «redenção do corpo»: «Se o Espírito d’Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos habita em vós, Aquele que ressuscitou Jesus de entre os mortos dará também a vida aos vossos corpos mortais, pelo seu Espírito que em vós habita». Tal é, e tão grande, o mistério do homem, que a revelação cristã manifesta aos que creem. E assim, por Cristo e em Cristo, esclarece-se o enigma da dor e da morte, o qual, fora do seu Evangelho, nos esmaga. Cristo ressuscitou, destruindo a morte com a própria morte, e deu-nos a vida, para que, tornados filhos no Filho, exclamemos no Espírito: Abba, Pai.
Neste dia também alegro-me convosco ao celebrar em ação de graças pelos cinco anos de ministério sacerdotal. Há 03.06.2011 subia o altar do Senhor, o Deus da minha juventude para, pelo ministério sacerdotal, configurar-me a nosso Senhor Jesus Cristo, o Sumo e Eterno Sacerdote! Eis que vos envio...” essas palavras do santo evangelho nos lembram que o autor de toda vocação é Deus nosso Senhor que primeiro nos chama, depois envia para a missão. Esta palavra me recorda ainda o profeta Isaías que ouve a pergunta do Senhor: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” A esta pergunta resta somente uma resposta: “Eis-me aqui. Envia-me a mim”. Sim, hoje tenho esta mesma disposição no coração: Envia-me a mim, Senhor, aonde tu quiseres. O padre não o é para si, afirmou o santo patrono dos párocos, São João Maria Vianney, mas é constituído em favor do povo de Deus, para o bem deste mesmo povo. Deste modo o padre é padre para a Igreja e onde a Igreja dele necessitar. Quero hoje falar-vos da pessoa do sacerdote e, deste modo, de mim próprio, das minhas convicções.
Quando fui chamado ao sacerdócio não imaginava quão imenso era este dom, o chamado foi meio que do nada, no cotidiano da vida! Após ser ordenado sacerdote percebi “como é grande o padre! (…) Se lhe fosse dado compreender-se a si mesmo, morreria. Depois de Deus, o sacerdote é tudo! (…) Ele próprio não se entenderá bem a si mesmo, senão no céu”, como afirmou o santo Cura D`Ars. O sacerdote não possui nada de extraordinário humanamente falando. Ele é um homem retirado do meio dos homens, homem das dores acostumado em meio às mesmas dores dos seus semelhantes. No entanto, ao ser ordenado nele se opera algo extraordinário que compreendo com estas palavras de São Paulo que muitos escolhem como tema de  ordenação: “temos este tesouro em vasos de barro para que transpareça claramente que este poder extraordinário provém de Deus e não de nós”.
Esta consciência acerca da sublimidade e ao mesmo tempo da concretude do ministério sacerdotal eu vou adquirindo mediante as exigências, a simplicidade e pobreza de muitos lugares a que somos enviados, bem como as diversidades da pastoral às quais vamos, sob a luz da Palavra, buscando responder, iluminar, ser sinal do amor de Deus. Ele nos pede a todos para sermos pobres logo na primeira Bem-Aventurança: bem-aventurados os pobres. Quando somos ordenados diáconos, em geral, fazemos uma profunda experiência espiritual da pobreza sacerdotal e isto vai nos moldando, mudando o jeito de ser padre já elaborado: ser pobre para ser pastor, ser pobre para ser celibatário, ser pobre para amar e ser amado pelos outros, ser pobre para perdoar, ser pobre para perder, ser pobre para obedecer, ser pobre para ganhar a vida, ser pobre...
Há quem se pergunte se o padre é feliz, se o padre é realizado, se ele aguenta a solidão ou o celibato. Se todas estas perguntas tiverem por pano de fundo o não sofrer, não decepcionar-se, não decepcionar os outros, o não ferir-se, a não renúncia, acho que eu deveria responder que ninguém é feliz. Não há uma única pessoa que não tenha passado por estas experiências na vida. Ser feliz e realizado é outra coisa. É poder sofrer, decepcionar-se com os outros e consigo mesmo, renunciar e mesmo assim continuar caminhando porque o que motiva a caminhada é um amor que está além, que não se vê, que não se mede, que não murcha nem se mancha. Por causa desse amor eu me tornei sacerdote e, peço a Deus, ser para sempre. Se eu tivesse que nascer de novo e escolher tudo de novo, eu escolheria de novo ser padre porque ser padre é a minha vida, é muito exigente, mas muito bom.
Quanto a esta comunidade que me acolheu na alegria e depois em meio à turbulência. O padre é um pouco do que ele consegue se construir ao longo de sua vida, com suas experiências, com o tempo de formação no seminário, mas também é um pouco do que a comunidade lhe proporciona ser. Ouso dizer que já há um tanto de vocês em mim e espero que de mim em vocês. Ninguém passa na vida do outro por acaso, como diz o poeta. Sempre leva um pouco de nós, sempre deixa um pouco de si. Aqui devo agradecer a todos, os bons e os maus, os gratos e os ingratos, os amigos e os não tão amigos: Sou um pouco daquilo que ajudam a fazer de mim. Obrigado por me terem forjado um sacerdote em busca de ser um padre coerente com o sonho de Deus. Ainda que não percebam, vocês são instrumento de Deus na minha vida, por isso eu sou grato a Deus e a todos.
Hoje, socialmente é um dia em que deveria ganhar presentes, rsrsrsrs... assim, peço-vos: rezem comigo pelas vocações sacerdotais e religiosas. São João Maria Vianney faz um apelo dramático para que se rezem pelas vocações, afirmando que se uma paróquia ficar sem padre por 20 anos, ali logo se adorará às bestas! Pedi, disse Jesus, pedi ao dono da messe para que envie trabalhadores... e faltam trabalhadores, faltam operários! Quero terminar minha homilia com estes versos dum hino nosso
Subo ao altar de Deus que é a alegria da minha juventude / Subo silenciosamente
Com o coração alegre e cheio de temor / Pois sei onde o Senhor me levará... 

Ouvi a Tua voz por isso estou aqui / Senti o Teu chamado então me decidi
E me lanço, me entrego nos braços do Teu amor / Pois nesse amor quero permanecer.

Nenhum comentário:

Postar um comentário