“Jerusalém, Jerusalém… “. A
vida de Jesus é uma grande subida a Jerusalém, realização da visita
escatológica de Deus a seu santuário. Mas Jerusalém não reconhece a
hora de sua visitação. Os pobres, a multidão dos discípulos,
o reconhecem, mas os detentores do poder não o querem reconhecer,
nem ouvir o testemunho dos pequenos. Por isso, Jerusalém será destruída,
porque não reconheceu a hora de sua visitação.
Ora, a salvação que Jesus traz torna-se eficaz na medida em que a assimilamos,
numa vida semelhante à dele. O “caminho” de Jesus reassume o caminho de Israel,
a subida a Jerusalém é chamada de “êxodo”. Mas é, sobretudo, a abertura do
caminho da Igreja e dos fiéis. Jesus é o modelo do orante cristão. Agora, na
hora decisiva da salvação, mais do que nunca o comportamento de Jesus é o
modelo que os cristãos devem imitar, e seus passos, o caminho que eles devem
seguir. Pois, se Jesus foi até Jerusalém e Gólgota, é daí que eles deverão
partir, para que de Sião saia a salvação para o mundo inteiro.
Lc acrescenta à narração de Mc alguns aspectos característicos: na
última ceia, Jesus se coloca como exemplo de serviço; os discípulos deverão
enfrentar a mesma hostilidade que ele; Jesus aparece como o modelo do homem
justo e piedoso, não só reconhecido como tal pelas mulheres ao longo do caminho,
mas, sobretudo, mostrando sua compaixão para com elas e para com seus filhos.
Porém, é sobretudo na cruz que se manifestam em Jesus a graça e a bondade de
Deus, como também seu perdão tema caro a Lc: promete o paraíso ao “bom ladrão”.
Em vez do Sl 22[2l], cujo início soa como desespero, Lc coloca na boca do
Cristo morrendo na cruz uma palavra de plena entrega de sua vida (23,46).
Também não faltam exortações para a vida cristã: Simão deve fortalecer
seus irmãos na fé. Os discípulos, em Getsêmani, devem rezar para “não entrar na
tentação” (alusão ao perigo da apostasia, no tempo de Lc).
Vale a pena reler a Paixão segundo Lc tendo diante dos olhos as
fórmulas do anúncio de Cristo pelos primeiros cristãos. Só alguns indícios: a
acusação quanto à atividade de Jesus é formulada conforme o querigma; a morte de
Jesus provoca arrependimento, como também acontecerá quando os apóstolos
proclamarem o “querigma”. Para Lc, narrar a Paixão de N. Senhor não é obra de
um historiador acadêmico, mas evangelização, provocar o confronto com o Filho
de Deus hoje.
Foi diante da morte do justo que o mundo sentiu remorso. Hoje,
o relato da Paixão de N. Senhor
segundo Lucas nos conta como os poderosos rivais, Herodes e Pilatos, tornam-se amigos às custas de Jesus, mandando-o de um para o outro como objeto de diversão. Conta também como um dos malfeitores crucificados com Jesus zomba do sofrimento do justo. Por outro lado, vemos Simão de Cirene ajudando Jesus a levar a cruz; as mulheres chorando o seu sofrimento; o bom ladrão solicitando a misericórdia de Jesus; o povão que se arrepende … Qual é a nossa atitude diante do sofrimento do justo? A de Herodes e de Pilatos? A das mulheres e do bom ladrão?
segundo Lucas nos conta como os poderosos rivais, Herodes e Pilatos, tornam-se amigos às custas de Jesus, mandando-o de um para o outro como objeto de diversão. Conta também como um dos malfeitores crucificados com Jesus zomba do sofrimento do justo. Por outro lado, vemos Simão de Cirene ajudando Jesus a levar a cruz; as mulheres chorando o seu sofrimento; o bom ladrão solicitando a misericórdia de Jesus; o povão que se arrepende … Qual é a nossa atitude diante do sofrimento do justo? A de Herodes e de Pilatos? A das mulheres e do bom ladrão?
O oficial romano ao pé da cruz exclamou: “Realmente, este homem era um
justo!” O que é ser justo, no sentido da Bíblia? Por que o justo sofre?
A 1ª e a 2ª leitura no-lo dizem: por obediência
a Deus. Então, Deus manda sofrer? Não é isso horrível e cruel? Não, Deus não
manda sofrer o justo, seu “filho”. Só manda amar. Amar até o fim. Mas quem ama,
sofre! O justo que ama, sofre, não por causa da paixão sentimental, mas porque
ele não quer ser infiel ao amor que começou a demonstrar, e que se opõe à
violência dos donos de nosso mundo! Nesta fidelidade, o justo pode perecer como
Jesus, dizendo: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Ser justo é
corresponder àquilo que Deus espera de nós, colaborar com o seu plano. É fazer
como Zilda Arns, as quatro freiras assassinadas há poucos dias no Iêmen e
tantos outros que deram a vida por aquilo que consideravam ser o desejo de
Deus: o amor testemunhado aos mais pobres dentre seus filhos.
Diante da cruz do justo que morre, temos que optar: ou pelo lado
dos que dão sua vida para viver e fazer viver o amor de Deus, ou pelo lado dos
que se dão as mãos para suprimir a justiça; lado de quem carrega a cruz ou de
quem a impõe…



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