CAPÍTULO
III [1]
URGÊNCIAS NA AÇÃO EVANGELIZADORA
30. Diante da realidade que se
transforma, a Igreja “em saída” é convocada a superar uma pastoral de
mera conservação ou manutenção para assumir uma pastoral decididamente
missionária, numa atitude que é chamada de conversão pastoral,
como caminho da ação evangelizadora. Voltar às fontes e recomeçar a partir de Jesus
Cristo, faz a Igreja superar a tentação de ser autorreferencial e a coloca
no caminho do amor-serviço aos sofredores desta terra.
31. Neste contexto emergem 05 urgências
na evangelização que precisam estar presentes nos processos de planejamento
pastoral das Igrejas particulares e instituições eclesiais. Tais
urgências dizem respeito à busca de caminhos para a vivência e a transmissão
da fé. Elas são elo entre tudo que se faz em termos de evangelização no
Brasil. Põem a Igreja “em movimento de saída de si mesma, de missão
centrada em Jesus Cristo, de entrega aos pobres”.
32. De acordo com essas urgências, a
Igreja no Brasil se empenha em ser uma Igreja em estado permanente de missão,
casa da iniciação à vida cristã, fonte da animação bíblica da vida e da pastoral,
comunidade de comunidades, a serviço da vida em todas as suas
instâncias. Tais aspectos encontram-se unidos de tal modo, que assumir um deles
implica que assumam os outros. Estão sempre presentes, pois se referem a
Cristo, à Igreja, à vida comunitária, à Palavra de Deus como alimento para a fé,
à Eucaristia como alimento para o serviço ao Reino de Deus, a
caminho da vida eterna.
33. Por seu testemunho e por
suas ações pastorais, a Igreja suscita o desejo de encontrar Jesus Cristo.
Este encontro se dá através do mergulho gradativo no mistério do Redentor. Daí
a importância do primeiro anúncio e da iniciação à vida cristã, a
qual não acontece plenamente se não se tem contato com a Sagrada
Escritura. A Palavra de Deus, alimentando, iluminando e orientando toda
a ação pastoral, transborda para a totalidade da existência de pessoas e
grupos, tornando-se luz para o caminho (Sl 119,105). Transformados por Jesus
Cristo e comprometidos com o Reino de Deus, os discípulos missionários
formam comunidades que não podem fechar-se em si mesmas, como ilhas. Por suas
atitudes fraternas e solidárias, trabalhando incessantemente pela vida em todas
as suas instâncias, tornam-se sinais de que o Reino de Deus vai se
manifestando em nosso meio (Mt 11,2-6; At 2,42), na vitória sobre o pecado e
suas consequências.
34. As cinco urgências apresentam a
evangelização na perspectiva da inculturação, em vista de “fazer a
proposta do Evangelho chegar à variedade dos contextos culturais e dos
destinatários”. Entre esses contextos, sobressaem a cultura urbana e a
Amazônia, “teste decisivo, banco de prova para a Igreja e a sociedade
brasileiras”.
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