segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora

As DGAE: 2015 – 2019

 Recentemente, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora (DGAE), para o quadriênio 2015-2019, que devem nortear os Planos de Pastoral de todas as Dioceses brasileiras para esse período.
Acerca das Diretrizes vale aprofundarmo-nos alguns pontos, ainda que numa visão geral e breve.







1) O que são diretrizes?
Segundo o documento 102, as “Diretrizes” são um farol a iluminar o caminhar da Igreja nos vários contextos das inúmeras dioceses brasileiras. As Diretrizes existem na Igreja do Brasil desde 1975, quando a CNBB passou a indicar linhas (eixos) fundamentais que norteariam os Planos de Pastoral das diversas (arqui) dioceses brasileiras. Naquela época, elas ainda eram chamadas de “Diretrizes Gerais da Ação Pastoral” (DGAP). Somente em 1995, a CNBB, percebendo que a expressão “Evangelização” era mais ampla que “Pastoral”, optou pelas “Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil” (DGAE).
A partir da de Aparecida, que resgatou a essência evangelizadora e missionária da Igreja latino-americana e passou a chamar-nos de discípulos missionários, as DGAE 2011-2015 definiram os cinco desafios da Evangelização, denominados também de “urgências”, quais sejam: 1. ‘Igreja em estado permanente de missão’; 2. ‘Igreja: casa da iniciação à vida Cristã’; 3. ‘Igreja: lugar de animação Bíblica da vida e da pastoral’; 4. ‘Igreja: comunidade de comunidades’; e 5. ‘Igreja a serviço da vida plena para todos’.
– As Diretrizes 2015-2019
Em 2015, a CNBB decidiu não elaborar novas diretrizes para o quadriênio 2015-2019, mas atualizar os cinco desafios/urgências adotadas em 2011, à luz de dois importantes documentos escritos pelo Papa Francisco, a Exortação “Evangelii Gaudium”, e a Bula “Misericordiae Vultus” e à luz do magistério da Igreja no Brasil e das próprias experiências pastorais realizadas nas diversas Dioceses brasileiras.
Historicamente, as DGAE sempre trazem dois elementos de fundamental importância para a organização dos Planos de Pastoral. O primeiro deles é a existência de um Objetivo Geral, que é como uma síntese das Diretrizes. O Objetivo Geral aprovado para 2015-2019 é: EVANGELIZAR, a partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo, como Igreja discípula, missionária, profética e misericordiosa, alimentada pela Palavra de Deus e pela Eucaristia, à luz da evangélica opção preferencial pelos pobres, para que todos tenham vida, rumo ao Reino definitivo. O segundo elemento, sempre explicitado logo no início das DGAE, é a centralidade Cristológica da Igreja, que deve estar presente nas diretrizes e nos respectivos Planos de Pastoral. O fundamento de toda DGAE é a pessoa de Jesus Cristo e o Reino que Ele anunciou.
A ordem dada por Jesus a seus discípulos, continua sendo dada à Igreja. “Ide a todo mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,15). Portanto, a eclesiologia das DGAE e de todo Plano de Pastoral é se constituir em uma Igreja ‘em saída’, isto é, sempre pronta a levar Jesus a todos os lugares. Padre José Comblin lembrou que: “O cristão do século XXI, antes de tudo, deve ser um místico”. O desafio da ação pastoral exige uma conversão pessoal e comunitária para discernir os apelos de Deus na realidade. Exige tomarmos consciência que somos cristãos em função do e para o Reino e não para satisfazer nossas vontades. Jesus Cristo nos vocacionou para sermos os construtores do reino, mas ele, independentemente de nós, acontecerá, pois “se as pessoas não falarem, as pedras falarão” (Lc 19,40).
A Conferência de Aparecida (2007) destacou que o lugar privilegiado para o encontro com a pessoa de Jesus é a comunidade. Por meio do contato com a Palavra de Deus, com os Sacramentos e na vivência comunitária, os cristãos assumem o seguinte – a Jesus Cristo; por isso, a Conferência de Aparecida os chamou de “Discípulos Missionários”.

No que as DGAE 2015-2019 são diferentes das anteriores? Dentre as principais mudanças nas DGAE estão a reorganização das cinco urgências na ação Evangelizadora (indicadas no capítulo III do documento) e novas proposições para as propostas de ações, as quais, por sua vez, correspondem a cada uma das urgências evangelizadoras que o documento denominou de “Perspectivas de Ação” (indicadas no capítulo IV do documento).

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