terça-feira, 10 de maio de 2016

Tríduo de Pentecostes


O USO DA BÍBLIA NA CATEQUESE

Fico feliz ao ver o nosso povo demonstrar seu enorme apreço pelas Sagradas Escrituras. Isso fica evidente quando, durante as celebrações, os membros da comunidade se põem de pé, para ouvir as leituras evangélicas. Denotam-se extremos de atenção e de esforço, para não perder uma só palavra. “Não ardia o nosso coração quando Ele nos explicava as Escrituras?” (Lc 24,32). Fica evidente a grande fé que o povo católico deposita no Cristo, que se comunica com o seu povo. Outro momento precioso para assimilação do ensinamento divino, é nos Grupos de Reflexão, quando se reúnem nas casas. Temos perto de mil desses grupos, que se reúnem semanalmente, aqui na nossa arquidiocese de Uberaba. O respeito pelas sagradas letras é o ponto alto da reunião. Chega mesmo a ser uma catequese entre adultos, a partir da Palavra. 

A estima e a atenção pelo Deus que se comunica, se manifesta também na caminhada catequética das novas gerações (crianças e jovens), que visam aproximar-se da Eucaristia e do sacramento da Crisma. Segundo o “Diretório Nacional de Catequese”, a Bíblia é o livro de catequese por excelência ( Nº 107). É ainda o mesmo Diretório que garante que a “catequese há de haurir sempre o seu conteúdo na fonte viva da Palavra de Deus, confiada à Igreja” (Nº 106). Assim a Esposa de Cristo “tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mt 13, 52). Dentro da Tradição, a Bíblia ocupa um lugar especial: nela a Igreja reconhece o testemunho autêntico da Revelação divina. 

Mas usando as Escrituras, a Catequese precisa evitar dois recifes, que podem fazer afundar todos os belos propósitos de aprendizado da fé. O primeiro é a possibilidade de reduzir o “depósito da fé”, a uma leitura apenas parcial das páginas bíblicas. Seria fazer memória de alguns trechos, e cair na amnésia de todos os demais. Infelizmente ainda não temos textos catequéticos resumidos de doutrina, após a publicação do “Catecismo da Igreja Católica”. Esses manuais ajudariam a chamar a atenção para uma vivência plena dos ensinamentos divinos. O outro grande perigo é querer fazer belas descobertas, dentro do horizonte acanhado do grupo, e só se interessar pelo “nós”. Neste caso esquece-se a Igreja, a quem Jesus confiou toda a Revelação, e cuja interpretação garante a reta compreensão. Portanto, não se pode esquecer o que a Igreja entendeu durante vinte séculos, e aquilo que ela, num amor de mãe, definiu para nos orientar


Fonte: Dom Aloísio Roque Oppermann scj
Arcebispo Emérito de Uberaba, MG

Cristãos leigos e leigas, sujeitos na Igreja e na sociedade



A Paróquia perfeita

Dom Murilo Krieger
Arcebispo de São Salvador da Bahia e Primaz do Brasil
Vice-presidente da CNBB
Conta-se que um jovem procurou, um dia, um eremita, isto é, uma dessas pessoas que vivem retiradas do mundo, isoladas, em meio a sacrifícios, orações e jejuns. Os eremitas não fogem do mundo para procurar Deus, mas levam o mundo em seus corações para, na oração, interceder por seus irmãos e irmãs que lutam, sofrem e procuram a vontade do Senhor. O jovem falou-lhe de sua decepção com a paróquia de sua cidade. Afinal, sonhara tanto com uma comunidade ideal, sem defeitos e sem problemas, e lá encontrara somente pessoas com imperfeições.  
O experiente eremita levou-o, então, a um lugar não muito distante, onde havia uma capela, e perguntou-lhe: “O que você está vendo?” A resposta foi imediata: “Vejo uma velha capela de madeira, com algumas tábuas um tanto apodrecidas e a pintura toda desbotada!” “É verdade”, respondeu-lhe o eremita. “A capela é isso mesmo que você está falando. Veja, porém: nela habita Deus! O mesmo acontece com sua paróquia. Ela não é tão pura e perfeita como você deseja, porque é formada por seres humanos. Você também é um ser humano e, por isso, continuamente faz experiência das próprias limitações e pecados. Por sinal, mesmo que você encontrasse, um dia, uma paróquia perfeita, ela deixaria de ser perfeita tão logo você nela entrasse!” 
Meu artigo poderia terminar por aqui, porque meus leitores já perceberam aonde quero chegar. Mas vou adiante, lembrando uma observação que a Igreja fez de si mesma, cinco décadas atrás. Os bispos do mundo inteiro estavam reunidos em Roma, participando do Concílio Ecumênico Vaticano II (“segundo” porque outro concílio ecumênico havia sido realizado antes no Vaticano, em 1870). A preocupação que dominava seus participantes pode ser sintetizada em uma pergunta: “Igreja, o que dizes de ti mesma?” A belíssima e profunda resposta que surgiu das orações e reflexões dos bispos pode ser lida no documento mais importante desse Concílio: “Lumen Gentium” (Luz das nações). Como desejo voltar à história narrada acima, destaco desse documento a parte que diz: “A Igreja cerca de amor todos os afligidos pela fraqueza humana, reconhece mesmo nos pobres e sofredores a imagem de seu Fundador pobre e sofredor. Faz o possível para mitigar-lhes a pobreza e neles procura servir a Cristo. Mas enquanto Cristo, ‘santo, inocente, imaculado’  (Hb 7,26) não conheceu o pecado (cf. 2Cor 5,21), mas veio para expiar os pecados do povo (cf. Hb 2,17), a Igreja, reunindo em seu próprio seio os pecadores, ao mesmo tempo santa e sempre na necessidade de se purificar, busca sem cessar a penitência e a renovação” (LG 8).
Não tenhamos, pois, ilusões: a comunidade perfeita existe, sim, mas na eternidade. Enquanto formos peregrinos nesta terra dos homens, viveremos em função de um desafio, de uma certeza e de uma utopia. O desafio: deve orientar-nos a ordem dada por Cristo – isto é: “Sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito!” (Mt 5,48). Há muito que fazer, pois, para atingirmos a perfeição! A certeza: “Não vos deixarei órfãos!” (Jo 14,18). Se nossa luta em busca da santidade exige muito de nós, alegra-nos a certeza de que não estamos sozinhos nesse esforço. Jesus está muito mais interessado em nossa vitória (e em nossa santidade) do que nós mesmos. E ele vai nos ajudar!  A utopia: “Vi, então, um novo céu e uma nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra desapareceram e o mar já não existia. Eu vi descer do céu, de junto de Deus, a Cidade Santa, a nova Jerusalém, como uma esposa ornada para o esposo. Ao mesmo tempo, ouvi do trono uma grande voz que dizia: ‘Eis aqui o tabernáculo de Deus com os homens. Habitará com eles e serão o seu povo, e Deus mesmo estará com eles. Ele enxugará toda lágrima de seus olhos e já não haverá morte, nem luto, nem grito, nem dor, porque passou a primeira condição’ ”(Ap 21,1-4). Trabalhemos, portanto, para que nosso mundo (nossa paróquia, nossa família, nosso coração etc.) melhore; mas não nos iludamos: a perfeição só encontraremos quando Cristo for tudo em todos (cf. Cl 3,12).

CONDIÇÕES PARA PAIS E OS PADRINHOS QUANTO AO BATISMO

Sabemos que é difícil escolher os padrinhos quando se vai batizar ou crismar um(a) filho(a). Conscientes disso, estamos divulgando as orientações da Igreja a este respeito, para ajudar os pais a recordar o sentido mais pleno dos sacramentos e para evitar constrangimentos na hora da inscrição.

A FUNÇÃO PRINCIPAL DOS PADRINHOS É AJUDAR OS PAIS NA FORMAÇÃO CRISTÃ DOS FILHOS. PORTANTO, NA HORA DE ESCOLHER OS PADRINHOS NÃO SE DEVE TER EM CONTA APENAS A AMIZADE, MAS TAMBÉM E PRINCIPALMENTE O AMOR E O RESPEITO POR DEUS E PELA SUA IGREJA.
Para ser padrinho ou madrinha de batismo na Igreja Católica Apostólica Romana é necessário:
1- SER CATÓLICO
2- NÃO FREQUENTAR OUTRA IGREJA OU RELIGIÃO (CENTRO ESPÍRITA, ETC...).
3- SER BATIZADO, TER FEITO A PRIMEIRA EUCARISTIA E A CONFIRMAÇÃO.
4- IDADE MÍNIMA DE 18 ANOS
5- PADRINHO E MADRINHA NÃO PRECISAM SER DA MESMA FAMÍLIA, MAS É NECESSÁRIO QUE OS DOIS VIVAM EM SITUAÇÃO REGULAR PERANTE A LEI DE DEUS, ISTO É, OU SOLTEIRO DE VERDADE, QUE NÃO VIVE AMASIADO, OU SEREM CASADOS NA IGREJA CATÓLICA.
TAMBÉM NÃO PODE ESTAR NAMORANDO PESSOA QUE JÁ SE CASOU PELA IGREJA, POIS O SACRAMENTO DO MATRIMONIO UNE O CASAL ATÉ QUE A MORTE SEPARE OS DOIS.
6- ACEITA-SE APENAS UM PADRINHO OU UMA SÓ MADRINHA, OU TAMBÉM UM PADRINHO E UMA MADRINHA.
7- É NECESSÁRIO QUE OS PADRINHOS PARTICIPEM DO CURSO PARA PAIS E PADRINHOS.
CONDIÇÕES PARA OS PAIS:
Para os pais da criança a ser batizada, as condições para inscrição do batizado são:
1 – Se paroquianos e não forem casados na Igreja Católica precisam marcar um diálogo com o Frei Antoniel ou Frei José Romão antes da inscrição para o batizado. Basta este diálogo e já aceitamos a inscrição. É necessário que tenham a intenção de dar uma formação católica para a criança: colocar na catequese para 1ª Eucaristia quando chegar o momento, etc...
2 - Nos casos irregulares (pais não casados pela Igreja Católica) de outras paróquias, é melhor que batizem a criança em sua própria comunidade paroquial.
    
3 – documentos necessários para inscrição na secretaria até de terça-feira a sábado:
-  certidão de nascimento da criança
- certidão de casamento dos padrinhos, se casados
- carteirinhas do curso de batismo dos pais e padrinhos
- para maiores informações contatar a secretaria da Paróquia pelo telefone 42 3522 4241
O curso acontece sempre nos últimos sábados do mês, à tarde e os batismos sempre no segundo domingo, na Missa das 9h!

quinta-feira, 5 de maio de 2016

PALAVRA DO PÁROCO

Tendo assumido a pouco mais de 6 meses a missão de Pároco desta Paróquia Nossa Senhora do Rocio, ainda que aos poucos começamos a colher os frutos de trabalho, esforço e de unidade. Os conselhos CEP e CPAE em suas reuniões ordinárias, respectivamente, estudam o subsídio “Sou Católico” e a instrução “Redemptionis Sacramentum”. Às nossas Celebrações Eucarísticas procuramos dar uma nova vida nas Equipes de Liturgia que buscam, no possível, antecipadamente sentar-se para bem distribuir funções e sugestões, visando sempre maior recolhimento, espiritualidade e dinamização as propostas Litúrgicas. A Pastoral do Dízimo recebeu formação para difundir essa realidade bíblica em nossa Igreja junto às pastorais e capelas e novos Dizimistas vão tomando a coragem de fazer a experiência do Dizimo. Numa de nossas capelas, vamos agora instituir duas ministras da comunhão eucarística. Retomamos a Missa com bênção do pão de Santo Antonio às terças-feiras. A Santa Missa em ação de graças pelos dizimista e um sorteio mensal mostra a gratidão da Paróquia com os que se esforçam em serem fiéis na devolução do seu Dízimo. Nas ofertas nossos fiéis, contrariando o que uma minoria sustentava, têm se dirigido ao altar para consagrarem-nas como oferta agradável ao Senhor e a quantia tem se mantido estável, às vezes aumentado.
Iniciamos o mês de maio, realizando pela primeira vez a festa de nosso co-padroeiro no seu dia específico, pedindo sua intercessão para que cada vez mais surjam operários para colaborarem na messe do Senhor. O mês de maio é muito rico liturgicamente falando! Como já citado iniciamos com a festa de São José Operário, seguimos com a homenagem, na pessoa da Virgem do Rocio, a todas as mães pela passagem do seu dia, dentro da solenidade da Ascensão do Senhor – que junto com Pentecostes na semana seguinte, inauguram a ação de Deus pelos sacramentos. Nosso Senhor “ingressa de uma vez por todas no santuário, adquirindo-nos uma redenção eterna” (Hb 9, 12). É o exercício o seu poder sacerdotal! Por isto não é difícil perceber uma certa tonalidade litúrgica na narrativa evangélica que relata a subida de Jesus aos céus!
Na solenidade de Pentecostes, quando comemoramos a descida do Espírito Santo sobre os apóstolos de Jesus Cristo, isso há cinquenta dias depois da Páscoa, teremos a alegria de instituir, sob mandato do bispo diocesano, uma nova turma de Ministros Extraordinários da Comunhão Eucarística, formados em nossa paróquia mesma. Seguimos, na semana seguinte, com a festa da Santíssima Trindade - um mistério de um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo - o Pai que é Deus, que é Amor: somente o Pai que ama respeita a liberdade de seu Filho que é Jesus Cristo: o Deus visível que se fez homem, nascendo da Virgem Maria para cumprir a vontade de Deus de libertar os homens do pecado e Espírito Santo que é o Amor do Pai e do Filho que nos é comunicado e transmitido. Neste dia faremos realizar com todos os movimentos de devoção mariana o I Congresso Mariano em nossa paróquia. Recordamos também a festa de Santa Rita numa de nossas capelas, aquela cujo nascimento foi precedido por sinais maravilhosos e visões celestiais que fizeram seus pais perceberem algo da futura e providencial missão de Rita, que seria colocada no mundo para instrumento da misericórdia de Deus em favor da humanidade sofredora.
Durante todo o mês, óbvio que nossas reflexões sempre voltar-se-ão para ela que a Mãe de Deus, nossa padroeira, a Virgem Senhora do Rocio, dado que maio é conferido à mesma! A Mãe das Mães que Deus escolheu para nos gerar, criar, educar, proteger e amar. Não foi por mero acaso. MARIA, a Mãe de Jesus, através de seu semblante deixa transparecer a divindade de seu Filho muito amado, Jesus. Ela é a Mãe do Puro Amor.
Maria é promessa e esperança, é ternura e solidariedade, é bondade e amor. É o veículo direto que nos comunica com Seu Filho. É nossa intercessora.

Frei Antoniel,MsS

sexta-feira, 29 de abril de 2016

O DOM DA MISERICÓRDIA

A celebração do ano santo extraordinário que a Igreja celebra, intitulado Ano da Misericórdia, é carregada de sentido e significado, seja pela grandeza e importância do tema, seja por sua urgência e necessidade, tanto da Igreja para dentro, pois embora tenha ela sua origem e fundamento na vontade do próprio Deus, é marcada pela realidade humana e, consequentemente, por suas mazelas, quanto da Igreja para fora, pois, cada vez mais, os desafios que assolam a humanidade, exigem respostas diferentes das que se tem dado até agora.
Misericórdia! Insistentemente temos ouvido e falado, porém, muitos desconhecem o real sentido e significado deste conceito; mais que palavra, ele condensa pensamentos, sentimentos e comportamentos que, como farol, orienta a vivência da fé cristã. Embora a assimilação e prática de valores espirituais não dependam, necessariamente, da intelectualidade, é importante alimentar a busca pela compreensão daquilo que acreditamos.
Misericórdia é uma palavra latina composta por outras duas ‘miséria’ e ‘coração’. Seus equivalentes na língua grega (‘eleos’) e hebraica (‘hesed’) possuem o mesmo significado. A ‘miséria’ exprime certa insuficiência extrema que suplica por piedade e compaixão; o miserável é um indigente que, com a vida e subsistência esta ameaçada, perambula sem rumo.  O ‘coração’ quando sente a miséria presente num homem, não a julga, mas a queima e destrói, eliminando a condição subumana do outro, a condições de morte, humilhação e distância, favorecendo o resgate de sua dignidade.
A misericórdia consiste na atitude de mover-se em direção ao outro, abraçar sua miséria com o coração, liquidando-a com amor e compaixão. A vivência da misericórdia dispensa a lógica e seus pressupostos tantas vezes cruéis; dispensa-se o absolutismo da razão e suas conjecturas, margeados pela parcialidade; dispensa a justiça que trafega sobre os trilhos do ‘dar a cada um o que lhe é de direito’, pois tantos não os têm reconhecidos; dispensa a meritocracia, pois, tantas vezes, nada merecemos assim como nada podemos retribuir.
O dom da misericórdia só é alcançado e vivido à luz da fé, através da experiência de um coração ‘miserável’ que se deixa continuamente abraçar pelo coração misericordioso de Deus e, assim, preenchido, abre-se, misericordiosamente, para abraçar o outro. A misericórdia nasce, vive alimenta-se e manifesta-se no perdão e na ternura. Se a nós a vivência deste dom é um constante desafio, considerando nossas muitas limitações e fraquezas, Deus não conhece limites; Nele a misericórdia não é um atributo, algo acrescido ou conquistado, mas uma realidade inerente ao Seu ser.  Deus é misericórdia. Sejamos misericordiosos!
Ivanaldo Mendonça
Padre, Pós-graduado em Psicologia
ivanpsicol@hotmail.com